Meus detalhes!

O ano chegou ao fim e mais uma reflexão venho compartilhar. Logo completarei sete anos de dedicação à esse blog que tanto me preenche, me direciona e traz sentido pessoal e profissional.  Foram mais de 70 reflexões compartilhadas e muitos muitos frutos colhidos nesse plantio, frutos dos quais nunca imaginei alcançar. Mas que frutos foram esses? Os detalhes! 
Cada um sabe do esforço dedicado a algo de profundo valor, muitas vezes esse valor não é divulgado ou nem sequer reconhecido como valoroso, mas ele nos traz algo a mais. Detalhes profundamente significantes que dão a cor e o tom da nossa caminhada. São os detalhes que nos dizem se estamos no nosso melhor trajeto. O detalhe do que sentimos no coração, o detalhe de suportar a quebra da imagem, o detalhe em reconhecer que você pode alcançar muitas pessoas mas nem sempre aquelas que você deseja. O detalhe em saber reconhecer o valor que ninguém enxergou mas que de alguma forma o universo veio te trazer e te disse ao pé do ouvido: é por aí! E você vai. Vai cegamente na confiança de que está no caminho certo pois esses singelos detalhes te dão a força e a coragem, a sabedoria do silêncio e a percepção da fala. 
Os detalhes podem funcionar em nós como grandes indicadores nas relações com o mundo. Quando nos dedicamos a eles nos reconhecemos em lugares insólitos, ouvimos vozes diferentes, sentimos coisas distintas e nos arriscamos a mudar o trajeto. Não mudamos somente o trajeto concreto do dia a dia, uma mudança de emprego, de casa, de relacionamento, cidade ou país, mudamos o trajeto da nossa vida interna e consequentemente nos apresentamos ao mundo como uma outra pessoa. Talvez tenhamos feito uma viagem sabática sem tirar os pés da nossa própria cidade, mas conseguimos explorar uma parte do mundo interno, conseguimos ir além das nossas fronteiras. A maneira como sentimos e nos direcionamos, brigas nas quais entramos e aquelas que relevamos, as pessoas com as quais ficamos e as que nos distanciamos, o lugar interno no qual fincamos os pés e onde abrimos mão de existir. 
Há algum tempo escrevi um desabafo no meu sigiloso “caderninho” e eis que agora sinto ser o momento de compartilhar. Não é nenhum texto super elaborado, é só mais um momento que coloco tudo que sinto profundamente em um pedaço de papel. Mas agora, dia 28 de Dezembro de um ano coletivamente pesado, resolvo dividir o pensamento  “A mudança”. 
“Tem horas nessa vida que tudo muda. Muda tanta que você não sabe nem por onde começará a mudança. Mas ela muda. Muda de direção, muda o caminho, volta, retorna mais um pouco e depois prossegue para um lugar nunca antes visto. Essa mudança acontece todos os dias e nesse exato momento tudo mudou. Mudou tudo novamente e, a mudança continua, mexe, chacoalha, sobe e desce. Tudo muda o tempo todo. Tudo muda a toda hora. Meu olhar muda, meu corpo muda, meus pensamentos mudam, meu coração muda. Até a maneira de se calar muda. Tudo está em mudança constante. Por que insistimos então em desejar que a mudança seja branda, suave e com menos impactos? Nenhuma mudança é capaz de ser sutil. Mudar para mudar. Tudo muda e mudar é a melhor mudança que existe.” 
Vamos reverenciar a mudança em nós e no mundo. Que venha 2017! 

A chave que não trancou

É frequente encontrarmos almas descontentes com suas vidas, escolhas, trabalho, casamento, amizade, família, e uma infinidade de “importâncias desimportantes”. De maneira recorrente me deparo com essas almas perdidas e que aparentemente se percebem sem caminho. 

Muitas pessoas dizem que precisam seguir em frente, fechar a porta e não olhar para trás como se num passe de mágica fosse possível esquecer parte da vida. Os sonhos se confundem com desespero, com desalento, se perdem da função de guiar no caminho da vida. Quando os sonhos se confundem eles ficam frágeis e a mercê de impulsos primários de prazeres sem significados.

Afirmativas como “Não consigo fazer”, “Não me sinto capaz de arriscar”, “Meu medo não me deixa ir”, me faz pensar o que essa pessoa precisa juntar e descobrir em si para seguir o impulso vital que, por algum motivo, está sendo bloqueado impedindo a alma de se manifestar.

Todos nós temos nossos impulsos, sonhos, guia e caminho, no entanto, nossos medos,receios e as infinitas justificativas impedem de identificar o que nos é, de fato, importante. Muito me questiono quantos sonhos se perderam nessa vida, quantos desses sonhos deram lugar a imagens fugazes?

Reencontrar a alma é dar espaço para a sua própria fala, o seu próprio sussurrar. Abrir caminho para que o singelo sussurro transforme-se em uma majestosa linguagem é dar vida a vida.
Prestar atenção nas ideias súbitas pode ser um caminho de encontro com a alma, arriscar-se, saltar, ir adiante é simplesmente o passo que pode ser o mais importante.

“Descobri que adoro fechar portas,
As portas fechadas me presenteiam,
Cada porta fechada me traz paz,
Cada porta fechada um passado jaz.
Atrás da porta sim, 
Atrás da porta senti medo, tristeza, angústia,
Atrás da porta senti desespero, aperto, decepção,
Atrás da porta não via saída,
Atrás da porta só via a mim e a minha solidão.

Ao descobrir a fechadura, a chave e o trinco senti,
Senti alegria, esperança, conforto, segurança e gratidão.
Descobri que fechar a porta é abrir,
Abrir não ao infinito e as suas possibilidades,
Mas abrir caminho para a minha vivacidade, 
Abrir para a escolha não é um simples abrir,
É simplesmente me abrir.

Aprendi a agradecer a porta que se fechou e,
Ao passado que ali ficou.
O belo de todo aprendizado foi o que gerou,
A chave que não trancou.

Aprendi que a chave de nada me serviu,
O mais lindo foi o que dela surgiu,
A porta que amei fechar não precisava da minha chave, 
A porta que amei fechar estava ali a esperar,
Pacientemente pelo meu passar”.



Enfim, vamos permitir nos encontrar com aquilo que realmente somos, não só com os nossos erros, mas sim com nossos sonhos. 

A chegada do primeiro filho

Não por acaso, escrevo esse mês sobre a chegada do primeiro filho na vida do casal. Com o nascimento do Marco Antônio pude vivenciar, juntamente com meu marido, a nova experiência de sermos pais. 
O primeiro mês mexe com toda a vida conjugal, novas bases passam a ser requeridas para que a harmonia do lar prevaleça. Quando isso acontece, quando há resiliência, o elo fica mais intenso. Para isso, o casal precisará unir-se em objetivos comuns e a partir daí estabelecer novos acordos. 
O filho chega, as noites de sono mudam, na verdade você mal dorme, o mal humor pelo cansaço aumenta e você precisa respirar fundo para não descontar no outro as dificuldades normais da adaptação. Nesse texto não vou falar do sentimento sublime e inigualável de ser mãe, nesse momento não explanarei sobre o amor que ultrapassa qualquer dificuldade. Falarei da importância do esclarecimento, da união e do companheirismo em que o casal deve ter para que a sintonia fique forte e suporte as mudanças inevitáveis. 
Lembram-se dos textos sobre ciclo vital em que escrevi há alguns meses atrás? Pois bem, como eu disse, agora é a hora de estabelecer novos acordos conjugais. Quem acordará nas madrugadas? O banho? A fralda, quem trocará? Podemos contar com o companheiro ou seremos só um nesse momento? Quem ficará responsável pelas contas da casa? E os cuidados com o bebê, remédios, vacinas? Quem levará ao pediatra? Será o casal? A mãe? O pai? Querem a ajuda de familiares? Quem fará esse pedido caso haja necessidade ou desejo? Enfim, podem contar um com o outro?
Para que haja uma harmonia é importante diálogo. Da mesma forma em que esse filho foi gerado, seja planejada ou não, a partir do momento em que se decide ter um filho ambos são responsáveis pelo bem estar  da criança. Em primeiro lugar é o bem estar do bebê, num segundo momento, quase que concomitante é o bem estar do casal como pais desse filho. Sobreviver ao primeiro mês pode ser prazeroso como também penoso, caso todo o encargo fique unicamente para um dos pares. 
Planejar pode não funcionar. A vivência de noites mal dormidas, o cansaço, a irritação, podem surgir diante da impotência e assim, afastar o casal dando a falsa ideia de que o filho foi o causador da separação. Se há lucidez diante de tal situação , a comunicação sem ruídos promoverá a possibilidade de novos acordos o que garantirá que qualquer problema será do casal e não da chegada do filho. 
A comunicação sempre foi por mim defendida como crucial para o sucesso do relacionamento. O que parece ser óbvio se mostra ineficaz diante de um desafio. Contar com o outro nesse momento é sem dúvida o ponto mais importante para manter a vida saudável e acima de tudo ultrapassar e adaptar nessa nova fase.Com isso o casal conseguirá cumprir com a função de pais sem deixarem de lado o casamento. Grandioso desafio que com amor, companheirismo, compreensão e acima de tudo diálogo o sucesso fará parte dessa nova família. 
O filho crescerá em um ambiente adequado com dificuldades mas acima de tudo capacidade de resiliência e resolução de problemas. O filho perceberá que acima de tudo o que predomina é a união, o respeito e o amor. 

A conscientização do feminino

Tenho percebido que há uma quantidade cada vez maior de pessoas procurando ajuda para passar pelas crises de uma relação, seja relação amorosa, de trabalho, amizade ou familiar. O tema que muito tem aparecido e que eu interpreto como sendo a crise do feminino, tem afetado diretamente a vida de muitas pessoas. 
Antes de dar início ao texto, quero esclarecer que, quando uso o termo feminino não me refiro ao gênero e sim, ao princípio, a  função do feminino, que está na mulher e no homem. Para escrever esse pequeno artigo li muitos livros, usarei alguns deles para ajudar a clarificar o que seria essa crise do feminino que é tão atual.
Marion Woodman em “A feminilidade consciente” diz:
“Uma grande quantidade de pessoas que perdeu o casamento ou um relacionamento chega a casa à noite e mal consegue girar a chave na fechadura. Estão afogados na solidão. Escuridão é tudo que existe do outro lado dessa porta. Elas projetam seu próprio vazio nesse espaço. Não há ninguém em casa. É um trágico desperdício de vida. Aqui é onde a feminilidade é crucial. Se você tiver trabalhando bastante seus complexos e for capaz de diferenciar entre sua própria voz e as vozes destrutivas de seus complexos, então conseguirá aplicar sua própria força. Você poderá dizer: “Estou aqui. Este lugar não está vazio. Eu posso preenchê-lo com minha própria essência. Esse não é um sofrimento sem sentido. Eu confio que alguma coisa nova está nascendo do caos”. A feminilidade consciente nos dá coragem para confiar no momento, sem saber qual é o objetivo”.
É fato que muitas pessoas passam por esse tipo de crise, acham a solidão dura e insuportável. No entanto, como diz Marion Woodman, é o próprio vazio que está projetado do outro lado da porta. A partir do momento em que a pessoa consegue adquirir consciência do seu próprio ser, esse vazio deixa de existir. O grande desafio é trabalhar os complexos para que o “Eu” não se afunde na inconsciência. Saber quando está pensando e olhando o mundo com os olhos de um complexo materno ou paterno, saber o que é verdadeiramente seu e o que é do outro. Aprender e conhecer a si mesmo é a saída e o alimento para preencher a sensação da solidão. 
Em “A coruja era filha do padeiro”, a autora traz o  retrato de que nessa cultura atual, as mulheres estão vivendo orientadas pelo principio masculino. 
“(…) Em sua tentativa de encontrar seu próprio lugar num mundo masculino, elas aceitaram sem perceber os valores de natureza masculina, como viver para consecução de objetivos, fazer tudo compulsivamente, ater-se ao plano material, que é incapaz de nutrir seu mistério feminino. Sua feminilidade inconsciente rebela-se e manifesta-se de alguma forma somática”. 
Mulheres deprimidas, com distúrbios alimentares, com dores por toda parte do corpo. Sintomas que possivelmente refletem algo fora do lugar, um peso além do suportável. O corpo pede para parar. Escuto frequentemente mulheres desejosas de homens gentis e que ao mesmo tempo não suportam serem cuidadas pois, isso remete à uma submissão negativa, a submissão de uma época em que a mulher não existia além do seu marido. Tudo está muito confuso, os papéis do feminino e do masculino se perderam para muitas pessoas e há um trabalho árduo a ser feito para recuperar o si mesmo. 
O principal desafio nessa jornada é trabalhar persistentemente para encontrar a essência e assim, deixar de projetar no outro a imagem que gostaria de ter ao seu lado. Aceitar-se e reconhecer suas projeções é o melhor caminho para o auto conhecimento e a recuperação do feminino que confia.