Morrendo em mim: um caminho mais que necessário.

A morte é sempre um tema aterrorizante para muitas pessoas. O medo da morte, do pós morte, de perder alguém, de sentir que a vida não está em nossas mãos. Ver tudo passar rápido e com a mesma velocidade, o pensamento de que algo poderia ter sido diferente. A morte está longe, distante e muito mais próxima da velhice, ledo engano. Morremos todos os dias, todas as horas. Sentimos saudades de algo que já morreu, um momento, um olhar, um abraço. Vivenciamos diariamente o luto e a dor de algo que ficou para trás. Mas por que ainda temos medo de morrer? Por que sentimos medo das mudanças?
O tempo passa muito rápido e quando temos filhos percebemos com uma clareza, nunca antes vista, de como o tempo é ligeiro, deixa marcas, foge do controle e te mostra o quanto você pode viver muito mal. Não falo de viver bem todos os dias na maior intensidade, em ser grato, nada disso. Mesmo porque a dor e o sofrimento podem ser muito eficazes quando o assunto é viver bem. Digo viver bem no sentido da aceitação, de se curvar diante da vida e receber tudo que ela te traz. Viver bem pode simplesmente te custar muito caro, custar as dores de lutas que aparentemente não são suas. Pode te custar dores intensas de cabeça ou até mesmo uma coluna travada. Talvez com todo desconforto você perceba que está vivendo bem. Resolveu que o mundo que está aí fora, todo cheio de achismos e piadas de mal gosto diz muito respeito a você. Que exigir uma voz mais ativa cansa e ao mesmo tempo te traz sentido novo. 
O encontro com o mundo pesado te mostra um pedaço escuro da vereda. Te coloca de volta ao teu próprio caminho e, ao mesmo tempo, você nota que talvez estivesse andando em uma rua iluminada que não era sua. Aquela ali, aquele beco, aquela lanterna velha no chão. Esse sim! Esse sim pode ser o seu trajeto. Nada de seguro, nada confortável e muito menos tão iluminado. Olhar pra sombra é mais do que olhar para aquilo que está fora, olhar pra sombra é se ver nela. É tudo uma coisa só, não precisa ser integrado, basta ser reconhecido, assim como você reconhece seu rosto. Integrar pressupõe algo que esteja fora, que não seja conscientemente seu. Quando entendemos que tudo somos nós, algo muda. 
Ninguém me mostra quem sou, nem mesmo sei quem sou, mas sei que tudo me possui e tudo eu possuo. Sou responsável por cada passo dado, por cada palavra dita e por todas que não foram sequer mencionadas. Sigo meu caminho, morro todos os dias, vivo a morte e a vida como uma só. E como disse Nietzsche: ” Depois que cansei de procurar aprendi a encontrar. Depois que o vento meu opôs resistência, velejo com todos os ventos.”

O casamento como um colar de pérolas.

“Um ser humano amar o outro: talvez seja esta a mais difícil de todas as tarefas que se nos impõem, o último teste e a prova final, o trabalho para o qual todo outro trabalho não passa de preparação” R.M.Rilke
Ao ler o livro “No caminho para as núpcias” me questionei por diversas vezes quando a autora fala em uma alma irmã, se não deveríamos, de fato, irmos ao encontro dessa alma para assim, nos dispormos ao companheiro (a) concreto (a). 
Esse início de Rilke me fez pensar, não estaríamos nós nos trabalhando para o amor ao próximo, já que, é no relacionamento que podemos trabalhar a nós mesmos se nos permitirmos olhar e aceitar o outro e consequentemente nos olhar na relação?
O casamento, a cerimônia, a festa, tem para muitas pessoas um significado social onde perante aquele grupo o casal se apresenta como instituídos no matrimônio, mas, será que esse casamento é de fato o caminho para as núpcias?
De acordo com a Linda S. Leonard:
“No plano mais profundo, as núpcias que procuramos são realmente as núpcias dentro de nós mesmos. Ter relacionamento pleno e saudável com outra pessoa exige que eu mesmo seja pleno e saudável”.
Sim, precisamos olhar para dentro para nos desvencilharmos das projeções idealizadas e conseguir olhar a si mesmo e ao outro. Somente assim o casamento de fato se tornará verdadeiro. Você aceitou casar-se com o outro e não com a imagem que o desejo lhe impôs. Conhecer a si mesmo é o caminho para a possibilidade do encontro verdadeiro. 
A autora ainda traz um trecho que considero precioso para a construção da união que diz que o maior desafio para as núpcias é a morte. Que morte seria essa? Ao discorrer na leitura, Linda fala sobre a morte nas núpcias: 
“(…) Casar-se é morrer em prol do Outro, é renunciar desejos, fantasias, ilusões e obsessões do próprio ego, e respeitar o mistério maior do relacionamento”. 
Quando um casal aceita a união, aceita o desconhecido e o desconhecido gera medo e consequentemente exige uma mudança na vida, já que, naquele momento você abriu mão de viver sua própria vida para vivê-la a dois. A renuncia significa a morte e ao mesmo tempo o nascimento de uma nova forma de viver. O seu parceiro foi escolhido por você e sendo assim, como escolha, deve ser feito um elo maior do que o externo, um casamento maior do que um encontro de lei, para ser de fato um encontro de almas. Almas que  juntas respeitam o parceiro, a si mesmo e o casamento.
No momento em que a união se dá nos moldes de encontro de almas, o que é vivenciado é o amor. O amor quando se torna o carro chefe compreende o meu, o seu e o nosso lugar  no mundo. Não há disputa de poder pois, não é o meu ou o seu jeito, é aquele jeito que escolhemos e construímos juntos, o nosso jeito. 
Casar é dar espaço para mais um nesse história, é aceitar a construção do nosso lugar. O matrimônio não é meu, nem seu, ele é nosso e esse lugar deve ser preservado.
Penso que o casamento é como um colar de pérolas preciosas que deve ser construído a dois. Cada um tem as suas pérolas e com paciência e dedicação se unirão. Deixam de ser solitárias e passam a ser parte da construção de um único e precioso colar. As pérolas são nossos valores, ensinamentos, medos, sonhos, expectativas, desejos que ao serem trabalhados em nós podemos juntos escolhermos quais estarão no colar. Depois de pronto, essa joia precisará ser cuidada com zelo, dedicação e acima de tudo amor, pois ele é o maior e o mais precioso bem da união.  

Convivendo com o Luto

A morte é o que se tem de mais certo, mas não podemos dizer que somente a morte do corpo físico nos faz vivenciar o luto. 
Perder alguém que nos foi caro, perder para vida ou para morte nos leva a sentimentos de solidão, vazio, tristeza e muitas vezes à depressão. Mas será que o luto é algo puramente ruim? Se olharmos pelo viés da morte, perder alguém que amamos é sim algo ruim, triste e que somente o tempo irá apaziguar a dor interior. Perder é difícil, suportar a dor da ausência, da saudade é ainda mais doloroso, mas como olhar para esse fim? 
Atualmente temos nos deparado com algumas publicações espíritas na mídia. A globo retratou na novela das seis “Escrito na Estrelas” uma visão pós morte, Chico Xavier no cinema com a comunicação com um mundo, que na visão espírita, não acaba com a morte do corpo físico. Por fim, o último lançamento do cinema brasileiro com o filme Nosso Lar que bateu recorde de bilheteria. Será que a população está sentindo falta de uma visão mais explicativa da vida a pós a morte? Pode-se dizer que sim.
Olhando pelo viés da vida, perder algo que parecia tão estável e seguro pode ser um grande impulso de mudança de vida. Perder um emprego, um casamento, para algumas pessoas é a mola propulsora para obter uma nova forma de viver e olhar a vida. A perda, quando positiva, trás uma nova chance de fazer algo diferente, re-significar e perceber o tamanho de sua força, os seus limites, descobrir potenciais e principalmente entrar em contato com a trasnformação. Seja através do sofrimento da perda ou pela opção de mudar, pode ser positivo para muitas pessoas. 
A dor, o sofrimento é para algumas pessoas paralisante e para muitas outras a chance de dar uma volta por cima. Se olharmos nossas vidas como um processo de desenvolvimento físico, psíquico e espiritual podemos passar por todos os obstáculos naturais da vida com o olhar da possibilidade de crescimento.  Ir além, ir adiante, sofrer no momento que precisar sofrer, e saber seguir no dia seguinte. 
Chorar por que perdeu um filho, um amor, uma mãe, um pai, irmão, emprego, e qualquer coisa que tenha valor para você é natural. É de extrema importância vivenciar o luto. Mas, no momento em que a dor o faz ficar estagnado pode ser o início da morte de seu próprio processo de desenvolvimento. Saber e querer sair dessa condição é base para passar pela luto e continuar vivendo.