A Dor: uma descidinha ao inferno.


Nós pluralizamos dores, nós fragmentamos dores, vamos vivendo como se uma dor física fosse diferente de uma dor emocional. Falemos de outro modo: Nós vivemos como se a dor física e a dor emocional não fossem a mesma. Eu não sou uma cabeça, um coração, um dedo ou uma mão. Eu sou uma coisa só, que cabe tudo isso aí, que carrega tudo isso aí. Nós aprendemos a nos fragmentar, tanto que acreditamos realmente que a nossa dor física é somente física. Mas não é! Que a dor emocional é somente emocional. Mas não é! 

A Dor é Alma. A dor é a dor, seja ela onde estiver. Vou até colocar com nome próprio: Dor. Essa Dor nos pertence de forma tão verdadeira que incomoda a ponto da gente achar que veio só para nos acabar. A Dor é uma escada, ela te chama pra baixo. Quem nunca se deitou no chão para viver a Dor? O problema é que não queremos mais essa descida, queremos ficar no topo sentindo a dor e racionalizando cada pedacinho. Ouvimos frases como: seja grata, agradeça a Deus, perdoe, seja gentil, tenha compaixão por você. Mas não é isso que a Dor quer de você. A Dor quer que você desça, que vá ao seu inferno , que resgate e reconheça você na sua própria dor. Nesse momento ela passa, ela passa porque você se encontra ali embaixo. 

A Dor te leva pro inferno e te traz de volta, com olhos inchados, cabelos e corpo molhados. A Dor é só um caminho real da vida que a gente tenta a todo custo rejeitar. Quem de verdade aguenta esse encontro com a Dor? Às vezes ele nos é imposto, e nessas situações temos sorte, porque já estamos no inferno e vamos sair dele. Mas a maioria rejeita a Dor buscando caminhos da rejeição a si mesmo. Porque mudar o pensamento, ir em uma direção de pensamento positivo, é rejeitar parte essencial da vida.

A Dor é vida. A Dor é caminho. A Dor também está em você. Não a rejeite como um monstro inconveniente. A Dor é a Dor. A Dor é a Dor.