Vamos conversar sobre Adjetivar?


De repente o tempo passou e aqui estou, com meses de atrasos nas publicações. Às vezes precisamos aceitar que tudo que necessitamos fazer, simplesmente, não é possível. Aceitar que correr não é o melhor caminho. Diante de tantas mudanças, resolvi andar. Correr não é mais uma opção, chegar rapidamente a um lugar cansa e nada traz além de respiração ofegante e coração acelerado. Por isso, depois de um tempo ausente, eu voltei. Voltei para conversar sobre um tema que venho refletindo há algum tempo. Vamos conversar sobre a necessidade de Adjetivar?
Vocês já devem ter notado que vivenciamos uma grandiosa dificuldade em dialogar. São tantas as discussões cansativas que não levam a lugar algum. Tem algo muito errado acontecendo, as pessoas não se escutam mais. Fui observar diálogos e discussões e notei que, em uma tentativa de conversa rapidamente tudo se esvai quando se dá início a adjetivações. Falas como: Você não sabe o que diz. Você está descontrolada (o). Quanta burrice!  Você é ignorante! Que povo idiota! E não vou entrar nas adjetivações que encontramos nas brigas políticas. A questão que coloco é: Por que agimos crentes de que uma adjetivação irá levar a algum lugar produtivo? 
Quando damos início as nomeações do comportamento do outro, automaticamente abrimos espaço para as armaduras e lanças. Toda capacidade crítica e de reflexão se encerra exatamente nesse momento. Podemos pensar em muitas formas de intervir mas caímos com frequência excessiva nas adjetivações. 
Reflito sobre essa estrutura social e o comportamento rígido que impede a manifestação criativa diante de algo divergente. A meu ver, existe uma rigidez tremenda quando entramos em um diálogo pronto para uma batalha, ouvidos tapados, pensamentos borbulhantes e de repente, não estamos mais diante do outro, estamos diante de um espelho. Falamos com nós mesmos na tentativa de nos convencer que estamos corretos mas, não basta estarmos corretos, temos que desqualificar o outro.  E esse é o x da questão. 

Onde estamos apoiando nossas estacas? Como construímos caráter, ética em bases tão movediças? O que isso tem dito da sociedade em que estamos? Não somos mais capazes de partir do ponto em que pouco sabemos. Me parece que existe pouca humildade nas relações. Eu não posso dizer que preciso pensar melhor sobre o assunto ou que talvez tenha me equivocado em determinado pensamento. Preciso dizer que sei e que determinado grupo ou pessoa não sabe o que fala. A arrogância predomina mas não a minha, a arrogância é dele que acha que sabe tudo. 

Tem um ditado oriental que diz:

“O home comum fala, o sábio escuta, o tolo discute”
Vamos cuidar para que a nossa tolice não se perpetue.