Tensão entre o ser e o não ser.

Ultimamente tenho me deparado com muitas falas orientando para que sejamos nós mesmos.
“Seja você mesmo!” Vocês já ouviram isso? Em uma dessas vezes eu passei o dia pensando, como seria ser eu mesma? Será que eu já não era? Será que essas pessoas que, com tanta força, dizem “seja você mesma”antes não eram? O que será que acham que estão sendo e que antes não eram? Isso me pareceu um pouco abstrato, me digam por favor, o que vocês acham? Isso tem me parecido um pouco peculiar. Não quero dizer raso, superficial porque isso é desqualificar o ser você mesmo de alguém que eu não conheço e não sei se realmente é. O que eu queria propor aqui é o seguinte, vamos pensar juntos? 
Abri os comentários, nem sei porque não estavam abertos. Estou sentindo vontade de ter vocês um pouco mais perto. Me escrevam!!! Preciso entender esse seja você mesmo! Vou falar um pouco do que eu penso sobre isso. 
Recomeçando. Seja você mesmo! O que será que as pessoas acham que estão sendo e que não eram antes? Às vezes tenho a impressão de que ninguém consegue “ser a si mesmo” porque estamos em processo de transformação constante, e a cada transformação eu poderia concluir que eu não estava sendo “eu mesma” que agora,  na nova descoberta, sou finalmente “eu mesma”. Mas até quando vai durar esse “eu mesma”? Até a próxima transformação? E aí, quando eu me transformar e me tornar a minha “nova eu mesma”, o que acontece com a “eu mesma de antes?” Que coisa mais estranha, vocês não acham? 
Começo a achar que não somos nós mesmos em nenhum momento. Somos tentativas de ser alguém em um lugar que esperam que sejamos alguém. Sendo assim, o que o mundo deseja que eu me torne não sou eu mesma, correto? Isso seria um estado que me ludibria dizendo que o que estou sendo, sou eu mesma. 
Curioso isso!!! Às vezes tenho a sensação que ser você mesmo é quase que fazer o que bem entender. Mas poxa, antes você fazia o que bem entendia mesmo que isso fosse fazer o que o outro esperava. Será que isso é tão sombrio assim? Sinceramente, acho que não! Acho que é só mais uma forma de não se responsabilizar por escolhas, afinal, não se perceber em nada na relação com o outro é possível? Nós sempre temos uma ideia sobre o que somos nas relações. Se são ideias equivocadas ou não, são outros quinhentos. Bom, mas o que importa agora é que eu sou eu, não é?
Desculpe!!! Acho que ainda não!! Esse sou eu gritado aos quatro ventos não é uma processo interino, é um “sou eu’ que precisa dizer que encontrou a si mesmo. Que desolação sinto agora. Parece que tudo está ao avesso e estamos nos acostumando com isso. Nos acostumando com a ideia de que podemos ser nós mesmo, simplesmente porque nos revoltamos. A revolta é só mais um ladinho do que somos e não o todo que somos. Amanhã seremos outro. 
Acho que precisamos não sermos mais nós mesmos e ponto final. Precisamos de movimento. Estou sendo alguma coisa em mim hoje, amanhã serei outra coisa em mim. 
E para finalizar eu extrai do livro “O mundo de Sofia” um conceito de Hegel sobre o ser e o não ser.
“Se eu abordar o conceito de “ser”, não tenho como evitar a abordagem do conceito oposto, isto é, o “não ser”. Não se pode refletir sobre a existência sem considerar que, no instante seguinte, pode-se deixar de existir. A tensão entre o “ser”e o “não ser” é solucionado pelo conceito de “transição”. Para que algo exista, é necessário que transite a um só tempo entre o ser o não ser. “

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