O cansativo discurso do empoderamento feminino.

Sou mulher e me dou ao direito de começar uma reflexão sobre esse cansativo discurso de empoderamento. Parto do lugar de mulher inserida e criada num mundo patriarcal, mas, não parto do lugar de milhares de mulheres que estiveram e ainda estão em lugares marginalizados. Diante disso convido todos a refletir, empoderamento feminino é um discurso efetivo?

No final do ano  surgiu na mídia o bombástico e tão esperado clipe da Anitta, “Vai malandra”. A colunista de revista Cult, Ivana Bentes escreveu o artigo: O que vale um funk? (Vale a pena a leitura). Ivana Bentes diz:

“Um corpo que o funk, o samba, o biquíni de fita isolante, toda a cultura solar carioca já vem dizendo, tem tempo, que não precisa ser apenas objeto e signo de assujeitamento, toda vez que quiser se exibir”.

Enxurrada de comentários a favor e contra e mais  uma outra enxurrada dizendo do empoderamento feminino. Eis que, eu realmente acho que Anitta ou qualquer pessoa deve fazer o que quiser da própria vida. O que me faz refletir é o tal discurso do empoderamento. Penso que, enquanto estivermos lutando por qualquer tipo de poder estaremos exatamente no mesmo lugar. Empoderar  é adquirir poder, o outro lado da mesma moeda do mundo patriarcal. Poder aqui ou lá não traz transformação, traz duelos. Enquanto não houver permissão de existirmos de dentro para fora, ainda precisaremos de mulheres que coloquem a celulite a mostra para dizer que está tudo ok. De mulheres que falem sobre o ponto G ou sobre filosofia. Sabe aquela história de que o poder é dado pelo outro? Pois é, empoderar é a eterna espera de que alguém  reconheça meu poder. Ou seja, podemos considerar que há um efetivo reconhecimento de si?  Precisaremos de modelos externos para nos fortificarmos. Não criticarei, em hipótese nenhuma, o trabalho de uma mulher, seja ele algo que eu concorde ou não. Ela tem o direito assim como todas as outras.

Vamos tentar sair dessa questão de coisa boa ou coisa ruim, de qualidade ou não qualidade, de imagem que degrine e de imagem que exalta, de representável e não representável, de vulgar e não vulgar, e tantas outros contrários. Essas polaridades ainda nos colocam na eterna discussão de bem e mal. Vamos além, vamos tentar nos perceber diante desses fatos todos. Tenho certeza que muitos de nós ainda se encontra no julgamento diante do comportamento de uma mulher. Mas nós mulheres, se quisermos efetivamente ter um lugar no mundo, precisamos abrir mão do poder para abrir espaço a toda existência feminina. Precisamos urgentemente nos isentar da crítica ácida ao trabalho de uma mulher. Concordemos ou não,  se quisermos mudar nossa condição no mundo precisamos, “pra ontem” mudar nosso posicionamento diante das Anittas. Se desejo para o meu filho um mundo melhor, não desejo que desapareçam as Anittas, muito pelo contrário, desejo que todas elas possam existir. Existir realmente! Existir!

Que 2018 seja um ano de mudança real, menos poder e mais integração. Bola pra frente que a Malandra vem aí.

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