Briga de vizinhos

Hoje pela manhã resolvi sentar e escrever sobre um tema que sempre me surpreende: a falta de limite com o outro. Quando escolhi o tema briga de vizinhos poderia seria algo não literal. O vizinho pode ser qualquer pessoa que encontra-se ao seu lado, mas nesse caso foi sim briga entre vizinhos que me fez questionar porque passar a barreira do outro ainda se torna justificativa pelo comportamento errôneo. 
Tudo começou porque temos uma regra, cachorros sempre na coleira. Uma vizinha estava adestrando o seu bichinho em um lugar comum, próximo ao parquinho. O cachorro se assustou e avançou em uma criança que perto da mãe foi socorrida por esta. A briga se instalou, pais de um lado e donos do cachorro do outro. Discussão particular certo? Não! Os vizinhos resolveram brigar pelo WhatsApp e todos foram obrigados a participarem e darem suas opiniões em um evento em que ninguém havia presenciado. O objetivo do grupo, que era termos contato uns com os outros,  se tornou um lugar de lavar roupa suja e muitas ameaças. Foi quando resolvi sair pois algo estava muito errado. Além dos motivos individuais, regras quebradas, crianças em risco, a polícia estaria prestes a entrar em jogo.
Não sei como isso terminou mas esse incômodo ficou em mim por alguns dias. Tudo começou porque existe uma permissão e brecha para quebrar regras básicas de convivência, o respeito ao outro. Eu fico indignada de ter que escrever sobre algo que seria tão simples se todos compreendessem que algo pode incomodar profundamente alguém e eu preciso preservar esse espaço que não é meu.  Vivemos em uma era que o individualismo impera mas até que ponto o individualismo que tem imperado não é pura manifestação egoísta? O individualismo não é egoísta desde que seja um individualismo responsável. Esse termo individualismo responsável é usado pelo filósofo Gilles Lipovetsky. Ele traz a ideia de que é preciso sair do Narcisismo hedonista e egocêntrico para irmos ao encontro de um Narcisismo mais maduro, flexível e responsável. Um individualismo sem culpa é onde o objetivo está no foco dos benefícios e não nas intenções. 
Vejo que esse é o desafio que nos impõe diariamente em todas os círculos de convivência. É de extrema importância que saiamos do nossa zona de prazer absoluto, para lidarmos com o respeito genuíno ao espaço do outro. Esse outro que está ali na outra casa e esse outro que também sou eu. 

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