Meu filho é um Youtuber. Palmas! Será?

Qual o limite da exposição dos nossos filhos na internet? As redes sociais estão aí e fazem parte da vida de muitas pessoas. Mas será que a exposição dos filhos, de crianças em canais do YouTube não tem demonstrado um excesso dos pais? Será que produzir crianças para serem as novas revelações youtubers não demonstra uma certa inocência das possíveis consequências desse ato? 

Muitos pais produzem seus filhos para serem celebridades afinal, são tão desenvoltos, tem tanto traquejo, ou ainda, são tão desinibidos, tão criativos e observadores. Não seria essa uma das grandes qualidades dessa nova geração? Sendo assim, seu filho é realmente alguém fora da curva? Essas têm sido características corriqueiras dessa linhagem. 

Então vamos lá! Em 2014 li uma reportagem na Folha de São Paulo sobre a exposição na internet de crianças. Eis que a professora Belinda Mandelbaum do IP (Instituto de Psicologia da USP) disse:

A internet pode ser um bom canal para que familiares distantes acompanhem o desenvolvimento da criança, por exemplo, mas também pode ser usada para prática exibicionista, talvez até de competição entre os pais.” E acrescentou: “É possível [que a exposição excessiva cause] uma insuflação do narcisismo da criança – é como se tudo o que ela faz fosse digno de registro“. *

Me assustei com a quantidade de crianças nos canais do YouTube. O que elas apresentam para outras crianças? São dons? São criações? Não! Apresentam os mais novos bens adquiridos. Brinquedos, roupas, sapatos, mais e mais brinquedos. O que estão fazendo com essas crianças? Não seria uma forma essa de dizer: “Meu filho você é ótimo, sabe se comunicar. Então vamos lá porque tudo que você é, é o que você tem”. Não é essa mensagem? O que as outras crianças que assistem a isso estão buscando? Novos brinquedos? São essas as inspirações que você realmente deseja que seu filho dê? Quantos views ele ganhou? Ele realmente sabe a importância disso? Não seria uma forma do adulto conseguir patrocinadores em cima da “desenvoltura” da criança? Vamos além. Crianças se expondo na rua pedindo dinheiro para COMER. Esses mesmos adultos dizem: não dou dinheiro porque, por trás dessa criança tem alguém se aproveitando dela. Essas práticas são tão diferentes assim? 

Obviamente que a criança de rua não tem alternativa, aquela é a realidade dela e isso dói. Mas a atitude que recrimina a criança que tem fome é a mesma atitude que apoia o consumismo exacerbado e exibido da crianças de barriga cheia. Definitivamente, exibir um filho pequeno consumindo e valorizando bens é um crime. E esses pais não fazem ideia do impacto que isso pode ter na formação da identidade dessas crianças. Não fazem ideia do adulto que virá. 

Em contrapartida, vimos esse mês uma menina de 11 anos com seu blog, produzindo muito. Produzindo muito mesmo. Uma menina criativa, com impulsos ricos de mostrar ao mundo o que é seu mundo de riquezas através de histórias e poesias. A internet sendo usada, uns com fins valorosos, outras com fins destrutivos. Seu filho está tomando qual caminho? Ou melhor, você papai e mamãe estão o guiando para qual direção? 

Educar nos tempos de hoje tem sido algo extremamente difícil, muitas direções e poucas orientações. Educar é uma arte que pode promover ou destruir. Estamos fazendo o que com os nossos queridos e amados filhos? 

*Reportagem Folha: https://goo.gl/O1N1qk



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