Quem precisa de modelo hierárquico é criança

Uma avalanche de desesperança tem acometido muitas pessoas nesse momento tão delicado em nosso país. Diante de tantos movimentos, sejam eles num âmbito maior a nível nacional, ou naquele pequeno ciclo de amigos e familiares, aqueles que sobraram depois das eleições, nos colocamos em estado de alerta. Um alerta, que a meu ver é bem positivo, que traz a possibilidade de sairmos da constelação da imagem de que somos brasileiros e enfrentamos tudo com um sorriso no rosto. Aquela imagem de amabilidade, de otimismo, de esperança que chegava a beirar a ingenuidade, me parece estar com os dias contados. Ótimo resultado! A dualidade se faz presente e agora temos que encará-la.
Saímos da casa dos pais e encontramos esse mundo nada cor de rosa. Nos deparamos com corrupção, roubo descarado, falta de caráter, falta de ética. Isso sempre existiu. Sim, mas era na casa do vizinho. Nada disso tinha chegado tão próximo como foi na época da ditadura. Diretas já foi um movimento rumo a libertação, o impulso estava de mãos dadas com a esperança. Hoje não sinto isso. Parece que o movimento está de mãos dadas com a desolação. Chegamos ao fundo do poço e não podemos culpar um governo, mas sim precisamos nos responsabilizar por tudo que fizemos da gente. Vejam, tudo que fizemos da gente.

A esperança sem ação não significa nada. Por quanto tempo estivemos nela? Hoje se tem ação sem esperança. Um grito de liberdade! Não queremos mais carregar a marca do povo ingênuo que sorri pra tudo sem enxergar nada. Queremos nos libertar dessa imagem de pessoas pobres de críticas sem discernimento, discriminação e diferenciação. Precisamos urgentemente olhar para o próprio umbigo não mais para dizer eu posso, eu quero, eu faço, mas sim perceber quão corrupto se pode ser. Os países desenvolvidos têm maior noção do próximo. Aqui se tem uma falsa ideia de benevolência, sou bom mas vou logo dando um jeito de ter benefício com relação ao outro. 
Você esquece algo no shopping e com certeza não encontrará quando voltar. Se alguma alma bondosa te devolver pode contar, será manchete no próximo jornal local. Honestidade se tornou qualidade. Qual o sentido daquele sorriso bondoso e amigável do brasileiro se de verdade na primeira oportunidade se rouba o próximo? A responsabilidade de sair da ideia do achado não é roubado. Aquilo que foi achado tem dono e ele pode voltar. Mas, se eu não pegar outro pega. Novamente preciso tirar vantagem. Não sou daquelas que valoriza o que está fora do país, tenho horror a isso. Mas procuro incessantemente defender a ideia de que o que tem valor está dentro de cada um. A minha honestidade não pode ser qualidade, tem que ser um dever. E essa noção de dever está muito longe. Não pode ser culpa de nenhum governante, tem que ser responsabilidade individual. Não podemos mais achar que precisamos de modelo que venha de cima. Quem precisa de modelo hierárquico é criança. Mas, nenhuma criança em desenvolvimento se espelhará em modelo de políticos. Elas olharão para o modelo que tem em casa. Qual é o seu modelo? Que modelo é esse que você consegue ser? Não podemos permitir que justificativas para atos corruptos sejam elementos para prosseguir desde pequeno na ideia descabida do jeitinho para tudo. São pequenos gestos que transformarão grandes atitudes e são elas que te acompanharão em qualquer lugar do mundo.

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