"Da maneira como falas, assim é teu coração"

Esse mês me deparei com uma citação muito bonita na qual gostaria de passear. 
“A fala não é da língua, mas do coração. A língua é meramente o instrumento com que se fala. Aquele que é mudo, é mudo no coração, não na língua (…). Da maneira como falas, assim é teu coração”. (Paracelso)
É comum quando nos encontramos diante de uma escolha ouvirmos de alguém próximo: “Faça o que o seu coração fala”. Dificilmente as pessoas se acalmam com esse tipo de orientação pois a ânsia de um caminho que vem pela lógica intelectual está presente diariamente em nossas vidas. No entanto, a sabedoria de tal observação permite ao outro a liberdade do contato com o seu próprio centro.
O mesmo serve para aqueles que muito falam, falam sem parar para observar-se. Emitem opinião sobre tudo e muitas vezes nem sequer prestam atenção a quem se fala. Caminhar para dentro de si, deixar que o coração, o afeto se exprimam é permitir além do racional algo mais próximo que pode acarinhar ou destruir o outro. 
Recentemente nos debates políticos vimos pessoas ofenderem sem nenhum censo crítico, mas o pior é perceber que tal fala é fala daquele coração. Corações duros, maldosos, se aliam a mentes e ideias obscuras e cruéis. Mas como atribuir ao coração o ódio? Uma imagem que naturalmente está tão ligada ao amor parece desconectar-se do aspecto maldoso. Seria possível essa dualidade dentro dessa imagem? Acredito que sim. Sementes boas e más possuem coração. 
Olhamos mais facilmente para a fala vinda dos corações mais nobres e também para a fala dos corações doentios e pouco nos permitimos o contato com o nosso. Admiramos pessoas que conseguem seguir tal “intuição” e ao mesmo tempo não nos percebemos capazes de aproximarmos do nosso centro. É um exercício árduo que nos faz perceber nossos sentimentos mais ricos e também os mais carentes. Quando excluímos a possibilidade de escutá-lo nos aliamos mais ao nosso racional. Quando nos fixamos na razão assumimos, unilateralmente, o risco de que o sentimento se apresente de maneira arcaica e impulsiva e, dessa forma, não há conexão com uma outra sabedoria. A polarização razão/sentimento traz prejuízos imensos em nosso caminhar. No entanto, se conseguimos ouvir a voz do coração, assim como ouvimos a voz da razão, nos colocamos diante de uma sabedoria singular e consequentemente abrimos espaço para um outro tipo de escolha. 
Um coração leve ou pesado diz muita coisa. Um coração sofrido conta muitas histórias, um coração alegre emite muitos sorrisos, mas um coração que não se faz ouvir se torna um mero órgão bombeando sangue. O que dizer de um coração não ouvido? Ele proporciona a vida, todavia uma vida não vivida se torna uma sobrevida. 
Viveremos ou sobreviveremos? 

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