Quando o ódio guia a vida

Pensar nesse sentimento é imediatamente tentar recusá-lo. O ódio não costuma ser visto como parte da psique tentanto trazer um alerta para a consciência. Evitar esse sentimento é negá-lo, negá-lo é deixá-lo atuar sombriamente.
Quando o ódio age na sombra ele destrói, torna-se um obstáculo no fluir natural da vida. Traz angustias, desespero, sensação de vazio, destrói relacionamentos, cria uma sensação real de perseguição e o mais importante, o mal sempre se concentra no outro. 
Esse mês trago o texto de Sônia Lyra, “O ódio”. A autora discute esse sentimento como sendo o “diabo” em nós. Aquele que traz obstáculos e impede nosso desenvolvimento. O ódio coloca o “eu” no centro, no foco e, desfoca o sentido real da vida. Ele nos tira a paz, nos põe em estado permanente de alerta como se precisássemos nos defender do mundo. No entanto, quando tomamos consciência percebemos sua função. Olhar para o ódio que nos acomete, nos permite uma abertura de mente, uma conexão com o nossos reais problemas e nos dá a possibilidade de mudança. No entanto, vamos ver como Regina Lyra, aponta esse sentimento nas relações. 
“Nada para nós tem verdadeiro VALOR, sequer nós mesmos. Nos transforma em comediantes de uma comédia em que queremos dos outros uma coisa: que acreditem em nós. É o “eu” que está sempre em jogo. Há um desejo contínuo de VINGANÇA. A vingança gira em torno da REVOLTA e do RESENTIMENTO. Consciente ou inconsciente ela está sempre ali. Como derrubar o outro? Como vou persuadir os demais de que o outro não presta, não tem valor?” (Caixa alta da autora)
O ódio se representa no mal que eu vejo no outro. Perceber a projeção é nos dar a possibilidade de conscientização e assim nos reconectar com o nosso sentido de vida. O ódio, o mal entregue a um alguém qualquer, nos cega e nos traz a nítida sensação de estarmos certos. A razão se torna nossa inimiga pois, como conselheira do ego, nos mantém presos a fantasia de que realmente somos uma única parte boa. O ressentimento nos guia para um caminho distante de nós mesmos. 
De uma outra maneira esse sentimento nos mostra que algo não anda bem, quando o medo, o pânico e a falta de esperança toma conta. Esses sentimentos nos dão alerta de qua algo reprimido impede o fluxo natural da vida e aí, é hora de procurar ajuda. 

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