Culpa: reconhecimento é essencial

Ao pensar no tema desse mês me veio a ideia de falar de um sentimento recorrente na vida das pessoas, a culpa. Para entendermos de que culpa falarei, usarei como referência o livro de James Hollis “Os pantanais da alma”. O autor classifica três tipos de culpa, que são:
1 – A verdadeira culpa como forma de responsabilidade
2 – A culpa como defesa não autêntica contra a angústia
3 – A culpa existencial.
Hoje falarei da culpa como forma de responsabilidade. O que o autor quis dizer com culpa como responsabilidade?
“Se a tarefa da individuação obriga a expansão da consciência, nenhum de nós pode se dar ao luxo do conforto casual da inocência. Nenhuma pessoa consciente pode se dizer inocente, seja no nível pessoal, ou, como Albert Camus deixou claro em The Fall, seja no coletivo. Cada um de nós é uma parte de urdidura da mesma sociedade que criou o Holocausto, que perpetua o racismo, o sexismo, a superioridade da idade, a homofobia, quer participemos ativamente ou não dela”. 
Somos parte de um todo e como parte, responsáveis pelo mal ocorrido e pela manutenção de atitudes preconceituosas e imorais. 
Para James Hollis é necessário o reconhecimento, a recompensa e a remissão. Reconhecer o erro, o mal que causou a si próprio ou a outra pessoa é o primeiro passo para conscientização e assim a possibilidade de lidar com esse sentimento. Lidar com as consequências de suas escolhas é a entrada na vida adulta, qualquer omissão é refugiar-se em uma atitude imatura e sem perspectivas de desenvolvimento. 
A recompensa para si, quando há a possibilidade de perdoar-se traz a remissão da culpa. No entanto, quando o mal cometido fere outra pessoa há duas possibilidades, buscar a remissão com o ferido ou, na impossibilidade, buscar simbolicamente tal absolvição. Mas, só há valor na recompensa e remissão quando o arrependimento é genuíno. Qualquer coisa fora disso, como diz o autor, nada mais é como a materialização da alma.
Jung nos ensinou que o erro está dentro de cada um, por mais que o mundo lhe apresente várias facetas errôneas e imorais, é dentro de cada um  que está a possibilidade de olhar para sua sombra e assim fazer algo significativo para a humanidade. 
Finalizo o texto com um trecho do livro que para mim resume o verdadeiro caminho para a remissão da culpa com responsabilidade.
“Declarar que eu errei, que eu sou culpado de escolhas inadequadas e das suas dolorosas consequências, não apenas é o início da sabedoria, como também o único caminho que pode, em última análise, conduzir à libertação”
Assumir não é um ato de humilhação e sim de humildade e crescimento.

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