Dores do amor!!

“Só se poderia pensar em amor livre se todas as pessoas realizassem elevados feitos morais. Mas a ideia do amor livre não foi inventada com esse objetivo, e sim para deixar algo difícil parecer fácil. Ao amor pertencem a profundidade e a fidelidade do sentimento, sem os quais o amor não é amor, mas somente humor. O amor verdadeiro sempre visa ligações duradoras, responsáveis. Ele só precisa da liberdade para escolha, não para sua implementação. Todo amor verdadeiro profundo é um sacrifício. Sacrificamos nossas possibilidades, ou melhor, a ilusão das nossas possibilidades. Quando não há esse sacrifício, nossas ilusões impedirão o surgimento do sentimento profundo e responsável, mas com isso também somos privados da possibilidade da experiência do amor verdadeiro”.
O amor é um tema muito falado e pouco vivido. O amor é confundido o tempo todo com posse e dependência. Quando Jung fala que o amor precisa de liberdade para escolha, penso que o amor para ser vivido precisa ser um desejo e não uma necessidade. Estou nessa relação porque gosto, porque quero e não porque preciso. Estou porque o escolhi.
O que faz uma pessoa precisar estar na companhia do outro para, de fato, sentir-se amada? Seria esse o sentimento sincero de uma relação? Não seria a baixa auto-estima o combustível do ser dependente? Poder amar a si mesmo é permitir-se admirar-se e o admirável é notado, por si e pelo outro. A partir daí basta o outro reconhecer-te como um ser desejável em sua plenitude humana, cheia de falhas, cheia de defeitos e imensamente coberta pela qualidade do amor a si mesma e do amor ao próximo. O sacrifício não significa apenas renunciar algo em prol do outro, mas acima disso, é um sacrifício quando pensamos na origem dessa palavra vinda do latim sacrum facere, uma oferta ao sagrado. Sacrificar algo em si não precisa ser visto de maneira negativa, já que, o sacrifício é em prol de algo superior, nesse caso, o amor. 
Amar o outro como a si mesmo não é um mandamento que colocaria o escolhido acima de ti, mas sim igual na importância e no merecimento desse sentimento. Amar o outro mais do que a si mesmo é amor ou posse? É amor ou necessidade? É amor ou dependência? 
Segundo Jung “O amor é como Deus: ambos só se oferecem a seus serviçais mais corajosos”.
Amar não é fácil quando exige de você que ame o outro como a si mesmo, já que amar-se tem sido, talvez, o amor mais difícil de conquistar. Consequentemente não há possibilidade do amor ao próximo, ou seja, não há possibilidade do amor em uma relação quando o olhar sobre si é tão frágil e apagado. 
Eros, é amor em sua essência, Eros é relacionamento e para finalizar esse texto, trago uma frase belíssima do sábio Jung:
“Raramente, ou melhor, nunca um casamento evolui a um relacionamento individual de forma serena e sem crises. Não há conscientização sem dores”

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