O casamento como um colar de pérolas.

“Um ser humano amar o outro: talvez seja esta a mais difícil de todas as tarefas que se nos impõem, o último teste e a prova final, o trabalho para o qual todo outro trabalho não passa de preparação” R.M.Rilke
Ao ler o livro “No caminho para as núpcias” me questionei por diversas vezes quando a autora fala em uma alma irmã, se não deveríamos, de fato, irmos ao encontro dessa alma para assim, nos dispormos ao companheiro (a) concreto (a). 
Esse início de Rilke me fez pensar, não estaríamos nós nos trabalhando para o amor ao próximo, já que, é no relacionamento que podemos trabalhar a nós mesmos se nos permitirmos olhar e aceitar o outro e consequentemente nos olhar na relação?
O casamento, a cerimônia, a festa, tem para muitas pessoas um significado social onde perante aquele grupo o casal se apresenta como instituídos no matrimônio, mas, será que esse casamento é de fato o caminho para as núpcias?
De acordo com a Linda S. Leonard:
“No plano mais profundo, as núpcias que procuramos são realmente as núpcias dentro de nós mesmos. Ter relacionamento pleno e saudável com outra pessoa exige que eu mesmo seja pleno e saudável”.
Sim, precisamos olhar para dentro para nos desvencilharmos das projeções idealizadas e conseguir olhar a si mesmo e ao outro. Somente assim o casamento de fato se tornará verdadeiro. Você aceitou casar-se com o outro e não com a imagem que o desejo lhe impôs. Conhecer a si mesmo é o caminho para a possibilidade do encontro verdadeiro. 
A autora ainda traz um trecho que considero precioso para a construção da união que diz que o maior desafio para as núpcias é a morte. Que morte seria essa? Ao discorrer na leitura, Linda fala sobre a morte nas núpcias: 
“(…) Casar-se é morrer em prol do Outro, é renunciar desejos, fantasias, ilusões e obsessões do próprio ego, e respeitar o mistério maior do relacionamento”. 
Quando um casal aceita a união, aceita o desconhecido e o desconhecido gera medo e consequentemente exige uma mudança na vida, já que, naquele momento você abriu mão de viver sua própria vida para vivê-la a dois. A renuncia significa a morte e ao mesmo tempo o nascimento de uma nova forma de viver. O seu parceiro foi escolhido por você e sendo assim, como escolha, deve ser feito um elo maior do que o externo, um casamento maior do que um encontro de lei, para ser de fato um encontro de almas. Almas que  juntas respeitam o parceiro, a si mesmo e o casamento.
No momento em que a união se dá nos moldes de encontro de almas, o que é vivenciado é o amor. O amor quando se torna o carro chefe compreende o meu, o seu e o nosso lugar  no mundo. Não há disputa de poder pois, não é o meu ou o seu jeito, é aquele jeito que escolhemos e construímos juntos, o nosso jeito. 
Casar é dar espaço para mais um nesse história, é aceitar a construção do nosso lugar. O matrimônio não é meu, nem seu, ele é nosso e esse lugar deve ser preservado.
Penso que o casamento é como um colar de pérolas preciosas que deve ser construído a dois. Cada um tem as suas pérolas e com paciência e dedicação se unirão. Deixam de ser solitárias e passam a ser parte da construção de um único e precioso colar. As pérolas são nossos valores, ensinamentos, medos, sonhos, expectativas, desejos que ao serem trabalhados em nós podemos juntos escolhermos quais estarão no colar. Depois de pronto, essa joia precisará ser cuidada com zelo, dedicação e acima de tudo amor, pois ele é o maior e o mais precioso bem da união.  

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