O casamento por escolha

Nascemos, crescemos e somos criados por pessoas que não escolhemos. Somos inseridos em uma família sem termos a possibilidade de negarmos. Podemos futuramente até abandoná-la mas, a família de origem continua em nós. 
Cresmos e aprendemos a escolher as pessoas que irão conviver conosco durante a vida. Amigos, colegas, profissão, trabalho, emprego e o nosso cônjuge. 
O que nos motiva escolhermos determinada pessoa para nos acompanhar em um período de nossa vida? Não usarei a ideia de escolha para o resto da vida pois não quero me prender na ideologia do amor romântico. Me basearei na ideia do casamento pelo tempo escolhido, seja ele um breve relacionamento ou longo o suficiente para acompanhar o outro até o seu fim. 
Há alguns anos atrás a união tinha sua determinação em outros pilares como acordos familiares, sociais e políticos. Com o avanço do tempo, houve a possibilidade  de escolha pelo sentimento e com isso a valorização do matrimônio pelo amor. Hoje a escolha permanece mas tenho percebido que muitas relações se mantém não mais pela ideia do amor romântico. Questiono, quais os motivos de união? O que faz o casal permanecer no casamento? Em meu consultório me deparo com um alto índice de intolerância na relação o que culmina, muitas vezes, com o seu fim. A intolerância, ao meu ver, mostra uma dificuldade do casal em relacionar-se com o jeito do outro.  E por isso questiono: o que tem sido a mola propulsora da escolha do cônjuge? Será que a união é de fato baseada no amor? Será que a paixão, o ímpeto de viver um amor romântico faz com que as pessoas idealizem o outro a ponto de não suportarem a realidade em questão? O que determina a escolha do cônjuge? 
A meu ver, muitos se perdem quando idealizam suas próprias vidas e projetam no outro a conquista de seus planos. No entanto, isso não é comunicado ao outro que chega na relação com tantas expectativas e planos quanto o seu parceiro.  Após o casamento, a vida diária, a rotina tem cansado muitos casais que procuram a terapia para livrarem-se dessa monotonia conjugal. Viver uma vida sem rotina é uma ilusão. A ideia de liberdade trouxe o aprisionamento, muitos vivem atrás de serem livres e acabam presos na ideologia de algo inexistente. O ser livre é aquele que tem a capacidade de viver de acordo com a sua natureza. No entanto, essa palavra trouxe distorções e siginificações que faz com que o indivíduo associe a liberdade com o egoísmo de “eu faço da minha vida o que eu quiser”, desconsiderando o parceiro. Essa ideia de liberdade para muitos é algo intolerável. Para lidar com o casamento muitos casais usam de artifícios para quebrarem com a instituição conservadora do casamento e consequentemente acreditam que libertam-se da rotina. 
Relações que permitem a entrada de outros parceiros, casamentos onde a opção é viver em residências diferentes, sexualidade que ultrapassa o conservadorismo. Não há crítica ao novo modo de viver de muitos casais, e sim uma reflexão, o que faz o novo casamento sentir-se estafado de uma união monogâmica? 
O casamento tem como significado, união, associação, vínculo. Associar-se a alguém de sua escolha. O que determina um casamento saudável é a possibilidade de eleger. Estar na relação por opção e não por dever ou por dependência. Desta forma o resultado é a união com satisfação e proximidade.
Existe uma diversidade enorme de casamentos, mas sem dúvida alguma o que estabelece a verdadeira união é o desejo de estar nela. A meu ver, a união do casal hoje não se dá mais somente pelo amor, o que une o casal é a possibilidade de dividirem uma vida, de compartilharem planos, expectativas e sonhos. Com isso, viver um casamento é querer estar nele, é almejar o parceiro em sua amplitude de sentimentos pelo tempo que desejarem . 
O amor faz parte da escolha e sem dúvida é o maior alimento do casamento, mas não é o único. 

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