A conscientização do feminino

Tenho percebido que há uma quantidade cada vez maior de pessoas procurando ajuda para passar pelas crises de uma relação, seja relação amorosa, de trabalho, amizade ou familiar. O tema que muito tem aparecido e que eu interpreto como sendo a crise do feminino, tem afetado diretamente a vida de muitas pessoas. 
Antes de dar início ao texto, quero esclarecer que, quando uso o termo feminino não me refiro ao gênero e sim, ao princípio, a  função do feminino, que está na mulher e no homem. Para escrever esse pequeno artigo li muitos livros, usarei alguns deles para ajudar a clarificar o que seria essa crise do feminino que é tão atual.
Marion Woodman em “A feminilidade consciente” diz:
“Uma grande quantidade de pessoas que perdeu o casamento ou um relacionamento chega a casa à noite e mal consegue girar a chave na fechadura. Estão afogados na solidão. Escuridão é tudo que existe do outro lado dessa porta. Elas projetam seu próprio vazio nesse espaço. Não há ninguém em casa. É um trágico desperdício de vida. Aqui é onde a feminilidade é crucial. Se você tiver trabalhando bastante seus complexos e for capaz de diferenciar entre sua própria voz e as vozes destrutivas de seus complexos, então conseguirá aplicar sua própria força. Você poderá dizer: “Estou aqui. Este lugar não está vazio. Eu posso preenchê-lo com minha própria essência. Esse não é um sofrimento sem sentido. Eu confio que alguma coisa nova está nascendo do caos”. A feminilidade consciente nos dá coragem para confiar no momento, sem saber qual é o objetivo”.
É fato que muitas pessoas passam por esse tipo de crise, acham a solidão dura e insuportável. No entanto, como diz Marion Woodman, é o próprio vazio que está projetado do outro lado da porta. A partir do momento em que a pessoa consegue adquirir consciência do seu próprio ser, esse vazio deixa de existir. O grande desafio é trabalhar os complexos para que o “Eu” não se afunde na inconsciência. Saber quando está pensando e olhando o mundo com os olhos de um complexo materno ou paterno, saber o que é verdadeiramente seu e o que é do outro. Aprender e conhecer a si mesmo é a saída e o alimento para preencher a sensação da solidão. 
Em “A coruja era filha do padeiro”, a autora traz o  retrato de que nessa cultura atual, as mulheres estão vivendo orientadas pelo principio masculino. 
“(…) Em sua tentativa de encontrar seu próprio lugar num mundo masculino, elas aceitaram sem perceber os valores de natureza masculina, como viver para consecução de objetivos, fazer tudo compulsivamente, ater-se ao plano material, que é incapaz de nutrir seu mistério feminino. Sua feminilidade inconsciente rebela-se e manifesta-se de alguma forma somática”. 
Mulheres deprimidas, com distúrbios alimentares, com dores por toda parte do corpo. Sintomas que possivelmente refletem algo fora do lugar, um peso além do suportável. O corpo pede para parar. Escuto frequentemente mulheres desejosas de homens gentis e que ao mesmo tempo não suportam serem cuidadas pois, isso remete à uma submissão negativa, a submissão de uma época em que a mulher não existia além do seu marido. Tudo está muito confuso, os papéis do feminino e do masculino se perderam para muitas pessoas e há um trabalho árduo a ser feito para recuperar o si mesmo. 
O principal desafio nessa jornada é trabalhar persistentemente para encontrar a essência e assim, deixar de projetar no outro a imagem que gostaria de ter ao seu lado. Aceitar-se e reconhecer suas projeções é o melhor caminho para o auto conhecimento e a recuperação do feminino que confia. 

2 comentários sobre “A conscientização do feminino

  1. Muito interessante essa matéria. Creio que no contexto atual, onde se tem buscado igualdade de direitos com os homens, inevitavelmente acaba-se procurando caminhos e conduta semelhantes em detrimento do feminino. Essa é a forma que a rigor dá mais viabiliadade para que esses objetivos sejam atingidos.Os resultados são alguns dos que foram citados neste post.Creio que cada um dos sexos tem suas peculiaridades que são imutáveis. A igualdade ao contrário do que se imagina, pode ser obtida através de equivalências em suas naturezas que são diferentes, sem que isso leve à submissões negativas do passado. Pois tentar unificar é contra a essência natural, e sendo assim conflituosa e consequentemente geradora de vazios existenciais e infelicidade.

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