Encontrar a si mesmo: uma busca maior.

Quando vejo a angústias de muitas pessoas em querer se encontrar, me questiono, que encontro é esse? Muitas delas dizem que é encontrar um amor, outras a paz, o trabalho, a satisfação pessoal, amigos, o corpo perfeito, um corpo magro, um corpo mais robusto. São tantas as buscas que não se sabe direito o que valorizar em si.
Existe uma procura, além dessa, que não se tem consciência, a busca da verdade, a busca do si mesmo. Quando digo verdade, não falo em opiniões, teses e ideias, digo da verdade da alma, a verdade que faz brilhar.
Lendo o livro “O espelho índio” de Roberto Gambini, e fazendo uma analogia com a busca de si mesmo, reproduzo abaixo um trecho sobre a chegada dos jesuítas em terras brasileiras.
“Psicologicamente, portanto, para sustentar a convicção de que seus dois pés apoiavam na virtude, um jesuíta tinha que projetar sobre o outro o seu sentimento de danação e passar a trabalhar externa e concretamente o problema no outro. A permanente projeção do mal no vizinho é um fenômeno cristão típico e implica uma vulgarização da mensagem de cristo na medida em que o fiel nunca reconhece o mal nele mesmo – o que desencadearia um processo psicológico novo. Cristo confrontou o demônio e foi crucificado entre dois ladrões, mas os jesuítas seguiram o caminho mais fácil da imitação exterior, ou seja, confrontavam o mal nos índios sem jamais admitir que também lhes pertencia”
Essa projeção no outro é recorrente, não é consciente e atrapalha em muito a possibilidade do desenvolvimento, visto que, enxergar a sombra no outro é algo limitado e que traz intolerância à diferença. Ser diferente é humano, poder ser diferente é digno, conseguir é uma dádiva.
Enxergar o mal em si mesmo é consentir o diálogo entre a sombra e a luz, é permitir a consciência e a possibilidade de mudança. O mal não deixará de existir mas, ele com certeza será mais tolerante e tolerado. Confrontar o mal no outro é viver em uma cegueira inútil que não permite o desenvolvimento e estagna a vida. Olhar para o outro pode ser a possibilidade de se olhar e descobrir a si mesmo, com luz e sombra. No entanto, para o encontro acontecer é preciso disponibilidade interna.
Para que o conceito de sombra não tome um caráter negativo, gostaria de esclarecer que aspectos sombrios podem ser positivos, isso acontece quando vimos no outro qualidades e capacidades que achamos inexistentes em nós. A sombra traz seus aspecto negativos e positivos, o importante é olharmos e dialogarmos com ela.

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