O Pai que não mora em mim

No XIX Congresso da Associação Junguiana do Brasil, que aconteceu em Gramado, onde fui apresentar um trabalho, tive o prazer de assistir a palestra do Dr.Roberto Lehmkuhl entitulada “Um mundo sem pai” que me fez refletir e ter uma vontade grande de falar sobre o Arquétipo Paterno. Para isso, vou me basear no artigo do Dr. Roberto, disponível no site da http://www.ijrs.org.br/artigos.php?id=125 .

Para dar início a esse texto, coloco um trecho do artigo de Lehmkuhl, que diz: “A marca da experiência sob a batuta do pai é a tensão e a diferença de potencial. Se por um lado presentifica a dor, o desconforto e o conflito, por outro gera energia e vitaliza ao fazê-lo.O que a mãe provê é o preenchimento; o pai, a falta, o sentimento da falta, mas também a tecnologia e os recursos para o preenchimento. A mãe saciava a fome, o pai instrumenta o filho para, por conta própria, experienciar e, com seus próprios recursos, lutar por suprir. A prescrição vem do pai; o comportamento fica por conta do filho; o bom pai não dá o peixe, mas informa e ensina sobre técnica da pescaria”.

Essa citação me fez refletir sobre a situação atual de muitos homens e mulheres que encontro em meu consultório. Quantos não conseguem se relacionar com o mundo pois lhe faltam o masculino? O masculino no sentido da luta, do ir, do ter disposição para a vida. Muitas pessoas encontram-se paralisadas, faltam-lhe o pai. O bom pai, como diz o autor, o pai que ensina a pescar, que orienta e que empurra para a vida. Tenho me deparado, principalmente com homens, que se perderam quanto ao que devem fazer. Como devem agir, e caem nos vícios para sentirem-se mais seguros de si, como se fosse no concreto buscar o pai bom, o masculino que ensina, que dá coragem e mostra o caminho. 

Situações onde a busca do prazer é algo compulsivo é uma representação forte da ausência do pai, um exemplo, são os vícios. O vício relacionado a bebidas, drogas ilícitas, a  sexualidade que, para muitas pessoas são supervalorizada e por outras tantas é visto como algo a ser temido. Pessoas que não conseguem desenvolver-se no trabalho, em atividades produtivas e criativas. O pai em nossa sociedade é função importantíssima para o desenvolvimento psíquico de qualquer pessoa. A ausência de um pai bom pode gerar indivíduos frágeis, inseguros, rígidos e sem limites. 

Como diz o autor: “Será que alguém sabe quem é seu pai? Esta mesma pergunta é feita todos os dias por homens e mulheres que não encontram sentimentos de proteção, autoridade, confiança, sabedoria e senso prático para viver suas vidas”.
Quantos não vivem na insegurança e na falta de confiança em sua jornada da vida? Como coloca Moore na citação de Roberto Lehmkuhl, “Ás vezes, precisamos sentir-nos ausentes e vazios para evocarmos o pai”.
A falta pode ser uma mola propulsora para evocarmos o pai. O que isso quer dizer? Muitas vezes é no sofrimento que conseguimos perceber a força que existe em nós e com isso seguir com determinação, coragem e auto-confiança para os desafios da vida, sem a necessidade de deslocar para qualquer vício a força do pai bom, do masculino. 

Um comentário sobre “O Pai que não mora em mim

  1. Oi Camila,Achei muito interessante e oportuno o tema que você abordou nesta publicação.Faltou mencionar o link do trabalho sobre a Clarice Lispector, que você apresentou na AJB 2011. O tema também é interessante e eu gostaria de dar uma olhada.Abraço.Odair

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