Ciclo Vital. Construindo a vida a dois

Muitas pessoas chegam ao consultório, seja para uma terapia individual, casal ou familiar,com queixas que parecem sem saída. Chegam com visões e comportamentos cristalizados que intensificam a dor. Olham muitas vezes para a sua situação e desanimam com a falta de perspectiva. 
De acordo com Ceneide Maria de Oliveira Cerveny, em seus livros: “Família e ciclo vital” e “Visitando a família ao longo do ciclo vital”, nós vivenciamos quatro fases do ciclo vital, que são: Fase de Aquisição, Fase Adolescente, Fase Madura e Fase Última. Esse mês falarei sobre a Fase de Aquisição e sua atuação na vida das pessoas.
A Fase de Aquisição é conhecida como o momento de construção do núcleo familiar. Pode-se perguntar: e as pessoas que se separam e casaram novamente? Esse novo casal (relacionamento entre duas pessoas), nesse recasamento, inicia a relação pela fase de aquisição. Independente da idade da pessoa, a cada novo relacionamento ela passará por novas experiências com o novo parceiro, sendo o momento da união, da construção da vida a dois e a parentalidade. 
A união é o momento em que o casal começa a se conhecer, a perceber suas semelhanças e diferenças, e precisam se adaptar a elas. Vão adquirir juntos os bens materiais?  Tem filhos de outros relacionamentos? Como será a convivência? Serão seus filhos e meus filhos? Serão nossos filhos? Esse é o momento de assumir responsabilidades, planejar o futuro do casal, negocia e renegociar.  
Na etapa de construção da vida a dois, o casal começa a construir a sua família, sua cumplicidade. Passam a conviver com os problemas e se deparam com diversos pontos: como será a relação do casal com suas famílias de origem, e seus amigos? E a vida social e individual? Como vão lidar com o dinheiro? Quem vai pagar a conta? Teremos conta conjunta? Vamos dividir as tarefas domésticas? Poderemos sair com os amigos? Teremos filhos? Quantos? E a educação que daremos à eles? Como será nossa individualidade? Chega o momento de avaliar os valores que vieram de suas famílias de origem, os individuais e quais os que permanecerão nessa nova família. Devem juntos estabelecer suas fronteiras e decidir como farão isso.
São esses acordos necessários que muitas vezes não são percebidos ou feitos de forma clara, o que consequentemente traz ruídos para a relação. Cada um espera que o outro aja como ele imagina e esquece de falar ao parceiro o que de fato espera dessa relação. Isso, além de gerar grandes conflitos, são muitas vezes motivos definitivos de separação, o que acontece frequentemente com muitos casais. Quantos relacionamentos terminam em menos de um ano? Provavelmente não conseguiram passar por essa fase do diálogo e dos acordos. 
Quando os acordos são feitos e  o casal opta por ter o primeiro filho, entra na família mais um membro que exigirá a reorganização de seus acordos. Quem cuidará? Colocarão em uma creche? Quem vai ajudar? Qual é a função de cada um dos parceiros? Esse filho será gerado? Será adotado? Um dos cônjuges ficará em casa para cuidar da criança? Durante quanto tempo? Como vão reorganizar o orçamento doméstico? Como será a vida do casal com a criança? E entre eles? A privacidade, acontecerá de que forma? Observem o surgimento de novas questões na etapa de parentalidade. 
Essas situações são extremamente normais na vida das pessoas. As dúvidas surgem e precisam ser conversadas no plano familiar. Comumente os casais não localizam o problema, o que dificulta o diálogo claro. Sendo assim, surge a necessidade de uma terceira pessoa para ajudar a perceber o conflito e reorganizar essa nova família. Dessa forma, evita-se a culpabilização que o casal costuma fazer para tentar achar o meio de aliviar o problema.  
É importante perceber o quanto querem esse relacionamento, o quanto estão dispostos a se ajustarem para criarem juntos uma nova convivência. Não esquecendo que são dois jeitos diferentes, dois modos de pensar, sentir, sonhar que podem divergir. O problema não está nas maneiras individuais, mas sim na impossibilidade de criar um terceiro jeito, o jeito do casal. 
Um relacionamento só dá certo quando “o nosso” jeito prevalece ao meu e ao seu jeito. 
Na próxima publicação falarei sobre a Fase Adolescente. 

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