Maysa M. Matarazzo: a maternidade, o feminino e o criativo

Por que falar da maternidade e do feminino atual trazendo como referência uma mulher de décadas passadas? O que essa mulher tem de tão atual e tão distante ao mesmo tempo? Nada mais coerente do que trazer Maysa unida a mulher contemporânea. O que tem em comum? A busca da alma.

Nascida em 06 de junho de 1936, de família abastada, aos 6 anos foi para um internato. Esse internato era considerado um dos melhores colégios formadores de boas damas. Rígido e causa das maiores dores de Maysa por ter uma alma livre. Aos 18 anos casa-se com um homem de uma família de renome que projeta Maysa ao sucesso. Dona de uma talentosa voz e um olhar inesquecível começa sua carreira artística sem aprovação dos Matarazzo.

Maysa foi intimada a calar-se, a fazer escolhas. O que a levou optar por seu dom artístico? Hoje nem todas as mulheres se calam no trabalho, mas onde estão sendo obrigadas a se calarem?Será que há escolha entre família, mãe e profissão? Creio que sim! Maysa conseguiu fazer essa escolha verdadeiramente? E nós conseguimos fazer as nossas? Pode parecer estranho e antigo, mas muitas são mutiladas na possibilidade de desenvolvimento.

Maysa, tinha composto uma música (O que) que retratava a busca interior de algo que não sabia o que. Assim como Maysa, muitas mulheres buscam no externo, o preenchimento do vazio interno. Mas onde está o problema de tanto vazio?

A função feminina estava atrelada ao ser esposa e mãe. O lado artístico, que era visto como algo inadequado, tinha como única possibilidade estar ligado ao lazer. Muitas mulheres atuais se deixam atingir da mesma forma, abrem mão daquilo que é essência em nome de um casamento, religião. Ainda se calam, não entram em contato com a voz interior, assim como os homens que com elas estão se calam em seu processo de encontro com a alma.

Maysa foi uma menina livre que transgrediu e chocou. Casou e tornou-se mãe, talvez num momento errado. Enquanto mulher ela não tinha recurso interno, porque o feminino criativo estava na arte e não na moralidade.

Hoje a mulher tem a possibilidade de escolher o seu caminho, mas será que é uma escolha consciente? Penso que a maioria das mulheres ainda cumprem inconscientemente o papel social, muitas precisam se assemelhar ao homem para poder sentir-se forte e protegida desse mundo que pode ser tão opressivo.

Por imposição social Maysa não teve oportunidade de vivenciar sua alma completa, o lado amoroso e artístico, o que culminou com sua morte. E nós como estamos cuidando da nossa alma?


(Trabalho Apresentado no XVIII Congresso Internacional da AJB)

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