Ciúmes


Faço uma síntese do texto “Ciúmes e Amor” de Carlos Amadeu Botelho Byington, para trazer um tema complexo que frequentemente aparece no consultório como causa de sofrimento.  

Para melhor entendimento exporei, a partir da explicação do autor, o significado da função estruturante. Esse termo é importante compreender pois, o autor define o ciúmes como sendo uma função estruturante. O exemplo que ele traz: a doença é um símbolo estruturante e o medo da doença a função estruturante. O livro é um símbolo e a vontade de ler é uma função. As funções da vida são por ele descritas como sendo as funções estruturantes. 

No texto “Relacionamento, Amor e Poder” pude discorrer um pouco sobre o que Jung dizia: “Quando o poder entra por uma porta o amor sai pela outra”. Para falar do ciúmes é importante termos em mente que o amor e o poder andam juntos, mas não podem ser colocados num só lugar. O autor traz em seu texto que o ciúmes acompanha o amor, assim como a inveja acompanha o poder. O ciúmes quando é sentido no seu estado natural atua como protetor, o guardião do amor. Assim, é ele como função estruturante, que delimita os direitos e deveres que o amor possui. Quando essa barreira é rompida o ciúmes torna-se defensivo, inadequado e possessivo, destruindo o amor. 

Muito sabiamente Carlos Byington explica que o ciúmes quando é desrespeitado atua com ira, perseguição e castigo na psique e no comportamento da pessoa, que se vê sofrendo com um ciúmes possessivo. Notamos isso claramente nas relações em que as fantasias são exploradas, não somente as do indivíduo ciumento como as do outro, colocando o parceiro na maior exposição da sua intimidade. O autor cita uma frase que reproduzo, por acreditar na profundidade dela. “Se aprende com o ciúmes que, acreditando amar, há um ferimento numa das grandes qualidades do amor, que é a intimidade”. Ou seja, na prova que o outro dá de amor, expondo toda a sua intimidade, pode ser um veneno para a relação, pois poderá se tornar uma armadilha. O bem e o mal está em todos nós. Aquilo que nos faz bem e nos faz mal está presente, resta-nos aprender a reconhecer e escolher qual caminho seguir. 

O ciúmes é saudável quando você reconhece que não gosta de ouvir e saber do passado do outro, mas se conforma de não ter conhecido-o antes e poder ter explorado a vida junto com a pessoa amada. Ter ciúmes do passado, pode ser algo natural quando há uma consciência de que ali existe algo a ser preservado e respeitado na privacidade e intimidade do outro. O ciúmes possessivo aparece quando se perde o contato com o amor e surge uma curiosidade controladora. O maior erro contra o amor é o poder que o controla. O ciumento possessivo exige do outro algo precioso para relação, a intimidade. Quando a intimidade é desrespeitada em nome de um amor, ela certamente irá atuar de forma descontrolada, ferindo o outro e a si mesmo. Qual o resultado? O ciúmes com o amor constrói. O cíumes com o poder destrói. Tudo é uma questão de escolha. 
   

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