O Relacionamento dos Opostos

Muito ouvimos dizer: o meu namorado, marido é exatamente o meu oposto. Quantos casais conhecemos que dizem estar em companhia de uma pessoa tão diferente? Nesse texto vou trazer uma reflexão sobre a sombra nas relações conjugais. Será que aquilo que o outro tem, que nos foi num primeiro momento objeto de admiração está tão distante daquilo que sou? Para isso, irei me embasar no capítulo de  Maggie Scarf do livro “Ao Encontro da Sombra”.
Trabalhar com a sombra não é trabalhar com algo só negativo, tem um aspecto de potencialidades que podemos enxergar no outro e não conseguimos perceber em nós. No relacionamento podemos notar o quanto aquela qualidade que foi tão atraente tornou-se motivo de grandes discussões. A autora traz em seu texto a importância de diferenciar aquilo que de fato é sentimento, desejo, pensamento que está dentro de nós e aqueles que estão dentro do parceiro. 
É necessário delimitar e perceber o que é nosso e o que é do outro. Por exemplo, você é uma pessoa sociável, comunicativa, positiva e vive com outra pessoa caseira, pé no chão, estável e pessimista. A segurança que ele te trouxe no início passa a ser um problema depois, pois o que prevalece é a monotonia. E aquilo que para ele era motivo de admiração, pois via uma mulher alegre e com vigor passa a ser visto como superficialidade. Ok, e agora? 
A autora traz o argumento de que as características estão em ambos, o segredo é poder assumi-las, perceber que um não precisa carregar pelo outro uma necessidade que é do relacionamento. Normalmente é feito um acordo inconsciente para que as necessidades sejam supridas a partir do outro, gerando assim um conflito interpessoal. 
É importante que haja a transformação do conflito interpessoal para um conflito intrapsíquico, ou seja, poder recolher as suas necessidades, as necessidades do outro e as do relacionamento, diferenciar e assim evitar uma projeção e uma expectativa quanto ao comportamento do parceiro. Ambos unem-se para conhecer do outro e de si mesmo.  
Para finalizar trago um parágrafo da autora que deixa evidente o quanto tudo está interligado, e que os opostos nada mais são do que a nossa sombra no relacionamento.
“Muitos casais parecem ser pólos opostos. São como marionetes num espetáculo: cada um deles desempenham um papel bem diferente do outro na parte do palco que está aberta ao olhar do observador objetivo; mas, fora de vista, os cordões das marionetes se emaranham. Eles estão profundamente enredados e emocionalmente interligados, abaixo do nível da percepção consciente de cada um. Pois cada um deles incorpora, carrega e expressa pelo outro os aspectos reprimidos do eu (o ser interior) do outro”.  

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