Senilidade e a Invisibilidade Social

Há pelo menos dois anos venho refletindo sobre o tema do idoso no Brasil. Em 2008, eu e Clarissa Magalhães escrevemos um artigo, resultado de nosso estágio em uma cidade geriátrica, com questionamentos sobre a posição social do idoso. O artigo foi intitulado “Asilamento e Morte Social,” apresentado na Sociedade Brasileira de Psicologia e que me incentivou a novamente escrever sobre a posição do idoso em nossa sociedade.

A maioria dos idosos no Brasil encontram-se em condição de invisibilidade, social, política e muitas vezes familiar. Morte Social? Morte Familiar? Estão vivos, mas não possuem lugar. A visão sobre o ancião mudou, do patriarca para … para o quê? Em muitas famílias não há espaço para o idoso. Há alguns anos atrás o idoso era tido como o patriarca, que era dotado de sabedoria. Não quero entrar no mérito do autoritarismo vivenciado por alguns sistemas familiares. Vou aqui levar em consideração apenas a posição de respeito para o membro mais velho. 
O ancião era o guia familiar, os mais novos pediam conselho e ouviam as suas orientações. Eles exerciam um papel que, após o término da sua função de produtividade, assumiam o de líderes familiares. O idoso saía do lugar de provedor, cargo este assumido por seus filhos, para ocupar o de orientador. A sabedoria nada tinha a ver com estudos, era o arquivo das experiências da vida.
Hoje, algumas famílias encontram-se cada vez mais fechadas e mais focadas na produção, aquele que não produz não tem espaço. O idoso dessa forma perde o seu lugar na família e na sociedade. No entanto, acredito que, assim como os jovens conseguiram, ao longo da história, mudar a sua posição social e familiar, tornando-se importante foco da sociedade, a senilidade conseguirá novamente o respeito.
Como? Se cada família jovem conseguir compreender que, em determinado momento precisará cuidar dos seus idosos, irá construir em seus filhos a mesma compreensão. Se conseguir sair das justificativas capitalistas, conseguir valorizar o saber, sobrepondo o valor da produção, irá re-construir o valor do idoso. Se pais, filhos e netos assimilarem o ciclo vital e conseguirem re-significar os papéis familiares, todos terão direito e lugar na sociedade.
Essa semana coloco em evidência um tema que tem aparecido com frequência no meio acadêmico, o que mostra certa inquietação dos estudiosos em compreender a forma como a terceira idade vem sendo tratada. A população está envelhecendo e precisamos modificarmos o nosso olhar, a nossa educação e o respeito por aqueles que fizeram e fazem parte da história.

2 comentários sobre “Senilidade e a Invisibilidade Social

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